top of page

Como um Hotel Urbano Pode Conquistar o Mercado do Golfe

28 de ago.
8 min de leitura

Introdução

Durante décadas, o turismo de golfe esteve associado sobretudo a resorts localizados junto aos campos. O conceito era simples: o jogador viajava para um destino, ficava alojado no resort e jogava no campo da propriedade ou nas proximidades.

Contudo, a evolução do comportamento do turista de golfe está a criar novas oportunidades para os hotéis citadinos. O jogador contemporâneo procura cada vez mais experiências completas: golfe, gastronomia, cultura, lazer, compras, vida urbana e conectividade.

Neste contexto, um hotel localizado numa cidade pode assumir um novo papel: não ser apenas um local onde o golfista dorme, mas transformar-se num verdadeiro Golf Hub — uma plataforma que conecta o visitante aos melhores campos, experiências e serviços de golfe da região.

A oportunidade está em deixar de vender simplesmente "quartos para golfistas" e passar a vender uma experiência de golfe com a cidade como base.

1. O que é um Golf Hub?

Um Golf Hub é mais do que um hotel com alguns pacotes de golfe.

É um conceito de hospitalidade em que o hotel funciona como ponto central de organização, informação, logística, relacionamento e experiência para o visitante que pratica golfe.

O hotel passa a integrar numa única proposta:

  • alojamento;

  • reservas de tee times;

  • transporte para os campos;

  • aluguer de equipamento;

  • armazenamento de material de golfe;

  • transfers aeroporto–hotel–campo;

  • experiências gastronómicas;

  • atividades para acompanhantes;

  • serviços de concierge especializados;

  • programas de treino e coaching;

  • eventos e torneios;

  • networking empresarial;

  • experiências culturais e turísticas.

Assim, o campo de golfe deixa de ser necessariamente o centro da experiência.

O hotel passa a ser o centro e os campos tornam-se extensões da experiência.

Esta mudança conceptual é fundamental.

2. A vantagem competitiva do hotel citadino

Um hotel urbano pode oferecer algo que muitos resorts de golfe não conseguem proporcionar com a mesma intensidade: acesso à cidade.

Para determinados segmentos, esta característica é extremamente relevante.

Um grupo de quatro jogadores pode querer jogar dois ou três campos durante a sua estadia, mas os seus acompanhantes podem preferir visitar museus, fazer compras, conhecer restaurantes, frequentar a praia ou explorar a vida cultural.

Da mesma forma, um cliente corporate pode combinar:

reunião + golfe + gastronomia + networking + experiência urbana.

O hotel citadino consegue, portanto, posicionar o golfe dentro de uma proposta turística mais abrangente.

O conceito pode ser resumido numa fórmula:

Golf + City + Hospitality + Experience

Esta combinação permite atingir não apenas o golfista hardcore, mas também o turista de lazer, o casal, as famílias, os grupos de amigos e o segmento corporate.

3. Criar uma "Golf Desk" dentro do hotel

Uma das primeiras iniciativas para transformar o hotel num Golf Hub seria criar uma Golf Desk ou Golf Concierge.

Esta estrutura pode ser física, digital ou híbrida.

O objetivo é que o cliente tenha no hotel um especialista capaz de responder a todas as necessidades relacionadas com golfe.

Por exemplo:

"Quero jogar amanhã às 10h00 num campo a 40 minutos do hotel."

O Golf Concierge deverá conseguir tratar da experiência completa:

  1. recomendar o campo;

  2. verificar disponibilidade;

  3. reservar o tee time;

  4. organizar transporte;

  5. reservar trolley ou buggy;

  6. organizar aluguer de tacos, se necessário;

  7. preparar breakfast box;

  8. indicar restaurantes próximos do campo;

  9. organizar transporte de regresso;

  10. sugerir uma experiência para o acompanhante.

O objetivo é eliminar a fricção.

O cliente não compra apenas um quarto. Compra conveniência.

4. Construir uma rede de campos parceiros

Um Golf Hub urbano não precisa de possuir um campo de golfe.

Pelo contrário, pode beneficiar da criação de uma rede de campos parceiros.

A estratégia deverá procurar criar um portefólio diversificado:

Campo premium

Para clientes que procuram uma experiência exclusiva.

Campo championship

Para golfistas experientes que procuram qualidade desportiva.

Campo resort

Para clientes que valorizam lazer e experiência.

Campo acessível

Para jogadores ocasionais ou principiantes.

Campo de 9 buracos / academy

Para estadias curtas, iniciantes ou clientes que disponham de pouco tempo.

Desta forma, o hotel consegue oferecer diferentes níveis de produto.

Em vez de comunicar:

"O nosso hotel está perto do campo X."

passa a comunicar:

"A partir do nosso hotel pode jogar os melhores campos da região."

Esta é uma proposta de valor muito mais poderosa.

5. Transformar o transporte numa vantagem competitiva

Um dos principais obstáculos ao turismo de golfe é a logística.

O jogador precisa de transportar tacos, deslocar-se até ao campo, chegar a horas e regressar ao hotel.

O Golf Hub pode transformar este problema numa oportunidade.

O hotel poderá disponibilizar ou coordenar:

  • transfer privado;

  • shuttle para campos selecionados;

  • transporte de tacos;

  • transfers aeroporto;

  • transporte para torneios;

  • transporte para grupos;

  • transfers personalizados.

Uma das melhores propostas comerciais poderia ser:

"Leave your clubs at the hotel. We take care of the rest."

O cliente chega, deixa o equipamento e o hotel gere toda a logística.

6. Criar programas de estadia especializados

O produto deve ser estruturado em experiências fáceis de comprar.

Por exemplo:

Golf Escape — 2 noites

  • 2 noites de alojamento;

  • pequeno-almoço;

  • 1 green fee;

  • transfer para o campo;

  • armazenamento de equipamento.

Golf Weekend — 3 noites

  • 3 noites;

  • 2 ou 3 green fees;

  • transfers;

  • jantar de boas-vindas;

  • concierge de golfe.

Golf Experience — 5 noites

  • alojamento;

  • 3 ou 4 rounds;

  • campos diferentes;

  • transfers;

  • experiência gastronómica;

  • atividade para acompanhantes.

Golf & Business

Para empresas:

  • alojamento;

  • sala de reuniões;

  • coffee breaks;

  • jantar;

  • torneio de golfe;

  • transfers;

  • prémios e cerimónia.

O importante é transformar uma série de serviços dispersos num produto comercial simples.

7. O acompanhante é também um cliente

Uma das maiores oportunidades do Golf Hub é deixar de pensar exclusivamente no golfista.

O jogador pode passar quatro horas no campo.

O acompanhante continua no destino durante esse período.

O hotel deve criar uma proposta específica para essa pessoa:

  • spa;

  • shopping;

  • gastronomia;

  • visitas culturais;

  • tours;

  • praia;

  • wine experiences;

  • workshops;

  • atividades de wellness;

  • experiências gastronómicas.

O conceito passa a ser:

"Enquanto você joga, nós criamos uma experiência para quem viaja consigo."

Isto aumenta significativamente a atratividade do destino e permite captar casais e grupos mistos.

8. Criar uma comunidade de golfe

Um verdadeiro Golf Hub deve ir além da venda de pacotes.

Deve criar comunidade.

O hotel pode organizar:

  • Golf Nights;

  • clínicas de golfe;

  • apresentações de equipamentos;

  • encontros com profissionais;

  • torneios;

  • corporate golf days;

  • networking;

  • watch parties de grandes torneios;

  • exposições de fotografia ou arte relacionada com golfe;

  • talks com jogadores e especialistas.

O hotel transforma-se assim num ponto de encontro da comunidade de golfe local e internacional.

Esta estratégia tem uma consequência importante:

O hotel deixa de depender exclusivamente da procura turística.

Pode começar a captar também o mercado local de golfe.

9. O Golf Hub como plataforma B2B

Existe ainda uma oportunidade muito interessante no segmento empresarial.

O golfe possui uma forte componente de relacionamento e networking.

O hotel pode desenvolver programas para:

  • empresas;

  • agências de viagens;

  • operadores turísticos;

  • clubes de golfe;

  • federações;

  • associações empresariais;

  • marcas de equipamentos;

  • seguradoras;

  • bancos;

  • empresas automóveis;

  • empresas tecnológicas.

Imagine um programa:

"Executive Golf Experience"

Manhã:

Reunião no hotel.

Almoço:

Networking.

Tarde:

18 buracos.

Noite:

Jantar e entrega de prémios.

Neste modelo, o hotel não está simplesmente a vender quartos.

Está a vender uma plataforma de relacionamento empresarial.

10. Criar uma identidade própria

Para que o projeto tenha impacto, o hotel deve possuir uma identidade de Golf Hub.

Pode desenvolver:

  • logo ou assinatura específica;

  • Golf Concierge;

  • página de golfe no website;

  • newsletter;

  • base de dados de golfistas;

  • redes sociais dedicadas;

  • conteúdo editorial;

  • mapas de campos;

  • guias digitais;

  • merchandising;

  • eventos próprios.

O golfe deve deixar de ser uma pequena secção dentro do website.

Deve transformar-se numa vertical comercial do hotel.

11. Conteúdo: vender o destino antes de vender o quarto

O marketing digital é particularmente importante.

O hotel pode criar conteúdos como:

"Os 10 melhores campos a menos de uma hora do hotel"

"Onde jogar golfe num fim de semana"

"Os melhores campos para jogadores de handicap elevado"

"Golf & Wine: uma experiência de três dias"

"Onde jogar golfe e o que fazer enquanto o seu parceiro joga"

"Os melhores campos para um corporate golf day"

Este conteúdo permite posicionar o hotel como uma autoridade local em turismo de golfe.

A estratégia não deve ser apenas:

"Reserve o seu quarto."

Mas sim:

"Descubra como viver o melhor golfe da região."

O quarto surge depois como parte natural da experiência.

12. A tecnologia pode transformar o modelo

O Golf Hub pode ser suportado por uma plataforma digital.

Idealmente, o cliente poderia encontrar num único ambiente:

Hotel → Campo → Tee Time → Transporte → Equipamento → Restaurante → Experiência

O hóspede poderia reservar tudo através do hotel.

Por exemplo:

09:00 — Pick-up no hotel09:45 — Chegada ao campo10:20 — Tee time15:00 — Almoço16:30 — Regresso ao hotel19:30 — Wine tasting21:00 — Jantar

O hotel passa a controlar a jornada completa do cliente.

13. Desenvolver um programa de fidelização específico

Uma oportunidade adicional seria criar um Golf Club do hotel.

Por exemplo:

Golf Hub Members

Benefícios:

  • tarifas especiais;

  • prioridade nas reservas;

  • condições preferenciais nos campos parceiros;

  • transfers especiais;

  • armazenamento de equipamento;

  • eventos exclusivos;

  • upgrades;

  • experiências gastronómicas;

  • acesso a clínicas de golfe.

Este programa permitiria criar uma base de clientes recorrentes.

O objetivo é transformar:

Golf Guest → Golf Member → Golf Ambassador

O cliente satisfeito passa a recomendar o hotel a outros jogadores.

14. Captar mercados internacionais

Um Golf Hub citadino pode funcionar como porta de entrada para mercados internacionais.

A comunicação pode ser dirigida a:

  • Reino Unido;

  • Irlanda;

  • Alemanha;

  • Países Baixos;

  • Escandinávia;

  • França;

  • Espanha;

  • Estados Unidos;

  • Canadá.

Mas não basta traduzir o website.

É necessário criar produtos específicos por mercado.

Por exemplo, determinado mercado poderá valorizar mais:

  • preço;

  • número de rounds;

  • transporte;

  • gastronomia;

  • vinho;

  • cultura;

  • praia;

  • qualidade dos campos;

  • experiências premium.

O hotel deverá conhecer os diferentes perfis de golfista e adaptar a proposta.

15. O conceito "Golf by Day, City by Night"

Uma das mensagens de marketing mais fortes para um hotel citadino pode ser:

Golf by Day. City by Night.

De manhã, o cliente joga num campo de qualidade.

À tarde, regressa à cidade.

À noite, desfruta de:

  • restaurantes;

  • bares;

  • cultura;

  • música;

  • eventos;

  • shopping;

  • gastronomia.

É uma experiência diferente da tradicional estadia num resort.

O golfista não está apenas a jogar golfe.

Está a viver o destino.

16. Como gerar receitas adicionais

O Golf Hub pode criar várias fontes de receita para além do alojamento.

Fonte

Potencial

Quartos

Elevado

Green fees

Comissão

Transfers

Margem

Aluguer de equipamento

Comissão

Golf Concierge

Serviço

F&B

Elevado

Spa/Wellness

Elevado

Eventos

Elevado

Corporate Golf

Muito elevado

Merchandising

Complementar

Membership

Recorrente

Experiências turísticas

Comissão

A vantagem estratégica está no revenue per guest, e não apenas no ADR.

Um golfista que fica três noites, joga dois rounds, utiliza transfer, janta no hotel e compra experiências pode gerar muito mais valor do que um hóspede convencional.

17. O modelo de parceria

Para que o conceito seja economicamente sustentável, o hotel não precisa de investir fortemente em ativos próprios.

Pode construir um ecossistema de parceiros.

Hotel

Controla o cliente e a experiência.

Campos

Fornecem os rounds.

Operadores de transporte

Garantem a mobilidade.

Golf shops

Fornecem equipamento.

Academias

Fornecem coaching.

Restaurantes

Criam experiências gastronômicas.

Agências

Geram procura internacional.

Empresas

Geram grupos e eventos.

O hotel assume o papel de orquestrador do ecossistema.

18. O verdadeiro ativo é a relação com o golfista

No longo prazo, o ativo mais importante não será o número de campos parceiros.

Será a base de dados e a relação com os golfistas.

O hotel deverá conhecer:

  • handicap;

  • preferências;

  • campos já jogados;

  • frequência de viagens;

  • mercados de origem;

  • preferência por experiências premium;

  • preferências gastronómicas;

  • comportamento de reserva.

Com esses dados, poderá criar campanhas altamente personalizadas.

Por exemplo:

"Antonio, jogou três campos da nossa Golf Collection. Na sua próxima visita recomendamos o novo Championship Course, com um pacote especial de fim de semana."

A relação deixa de ser transacional.

Passa a ser relacional.

19. Um novo posicionamento para o hotel

O posicionamento final poderia ser construído em torno de uma ideia simples:

"Your City Base for Golf."

Ou:

"Stay in the City. Play the Region."

Ou ainda:

"The Gateway to Golf."

A mensagem essencial é que o hotel não pretende competir com os resorts de golfe.

Pretende oferecer uma experiência diferente.

O resort oferece golfe com alojamento.

O Golf Hub oferece golfe + cidade + experiências + conectividade.

Conclusão

A transformação de um hotel citadino num Golf Hub não exige necessariamente a construção de um campo de golfe.

Exige, sobretudo, uma mudança de perspetiva.

O hotel deve deixar de perguntar:

"Como podemos atrair golfistas para os nossos quartos?"

E passar a perguntar:

"Como podemos tornar-nos a melhor porta de entrada para o golfista que quer conhecer esta região?"

A partir dessa mudança surgem novas oportunidades: parcerias com campos, Golf Concierge, transfers, experiências, corporate golf, programas para acompanhantes, eventos, memberships e uma forte estratégia digital.

O hotel torna-se o ponto de ligação entre o golfista e o destino.

E essa pode ser a verdadeira vantagem competitiva de um hotel urbano:

Não ter um campo de golfe à porta, mas ter todos os melhores campos ao seu alcance.

O futuro do turismo de golfe pode não estar apenas nos grandes resorts.

Pode estar também nas cidades — em hotéis capazes de transformar a sua localização, conectividade e capacidade de criar experiências num verdadeiro Golf Hub.

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Pedro Ascenso
Pedro Ascenso
04 de set.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

👍

Curtir

VAMOS AJUDAR A TRANSFORMAR SEU HOTEL NUM DESTINO DE REFERÊNCIA NO GOLFE

Contactos
Pedro Ascenso
pedro.ascenso@golfhospitalitygrowth.com
Tel: 931437813
  • Youtube
  • Instagram
  • Facebook
Google-Review-Logo.png

© 2025 Orgulhosamente criado com Pedro Ascenso

bottom of page